Rio Preto tem uma Escola de Escritores

Projeto Escola de Escritores é destaque no jornal Diário da Região; matéria fala das técnicas e da importância de um roteiro bem estruturado

Se o leitor está a fim de escrever um livro, já tem até alguns rascunhos, sabe o enredo, o clímax e o desfecho, mas não sabe como concretizar o sonho, isto tem jeito: Rio Preto tem a única Escola de Escritores do Estado de São Paulo. Funciona no Centro de Cultura e Conhecimento Linguístico (CCLI), e foi criada pelo professor de Letras João Paulo Vani, formado pela Unesp/Ibilce.

Mas é bom lembrar: é preciso talento acima de tudo, aprimorado com muita leitura. Para escrever bem, o autor precisa ter vocabulário diversificado (para isso, é preciso ler muito), conteúdo diferenciado (não escrever sobre o óbvio) e senso crítico (inclusive sobre ele mesmo). Quando fundou a escola em 2009, Vani tinha como foco preservar o “romantismo” dos livros de papel, sem se distanciar do mercado editorial dirigido a publicações digitais.

No Brasil, há outros cursos destinados à escrita, mas são rápidos e com menor carga horária. Existem outros dois com nível acima do ministrado pela Escola de Escritores rio-pretense, que são os cursos de pós-graduação na área editorial da Unesp/SP e de produção editorial pela FGV/RJ, com 360 horas cada. “O curso é dirigido a qualquer pessoa que sinta o desejo latente de ser escritor,” diz Vani. As turmas têm cinco alunos em média.

“Não basta pegar um material, levar à gráfica, mandar imprimir, que vira livro. Livro de verdade, tem que ter ficha cartográfica e ISBN. Existe a Lei do Livro, que rege os direitos”, diz o professor. ISBN é a International Standard Book Number, ou em português, o Número Padrão Internacional de Livro.

Desde que se conhece por gente, o administrador de empresas Edson Ricardo Goulart, coach pelo Instituto Holos, tinha dois sonhos: trabalhar com marketing (atividade que ele exerce há 20 anos) e escrever um livro. E o assunto a ser narrado não poderia ser outro: marketing. Mas confessa que demorar a pôr a ideia em prática, temendo propor algo ao mercado que caísse na mesmice. A essência do material será: como a transparência nos negócios está influenciando a decisão dos gestores.

Ele diz que os 15% que faltam para concluir o livro tem a ver com a chegada do novo herdeiro prevista para este mês. Ele é casado há 11 anos com Betina Monteiro Goulart. Com um barrigão de dar gosto, ela afirma que no terceiro dia de aula, a visão dele clareou sobre o mercado e de modo descontraído diz que tudo ficou mais fácil.

“Ele entendeu o mercado e viu que era preciso estabelecer uma meta para chegar à publicação. Sou incentivadora, pois desde que o conheço ele fala em escrever um livro”, afirma Betina. O jornalista, escritor e editor Lelé Arantes acredita mais no talento do autor. “O escritor já nasce pronto.

A escola é importante, claro, para dar as técnicas, as regras, dar um roteiro a seguir. Mas a técnica não substitui o talento. Se o candidato não tiver talento, ele pode cursar todas as escolas do mundo,que não vira nada,” diz Arantes, diretor-proprietário da THS, há 11 anos no mercado editorial. A THS contabiliza 170 livros publicados, com 12 em andamento atualmente.

Poesia que não acaba mais

Dinheiro não era problema para a poetisa Vera Mussi. Depois de ficar viúva e ter a decepção de levar suas poesias para uma editora local que a recusou, ela foi em busca do autoconhecimento e reeducação emocional em um spa baseado no “Processo Hoffman”. Ficou lá por 10 dias recolhida para visualizar o tão sonhado livro e encontrar o seu “eu”.

Até que entrou em contato com o professor João Paulo Vani. Ele a visitou em sua casa, soube do interesse em publicar uma coletânea com seus poemas. Eram até ali 1,5 mil poesias. Foi preciso uma triagem por um serviço especializado em leitura crítica para selecionar 129 delas. As selecionadas estão no livro “Vida”, publicado em agosto deste ano. Nele, Vera relata muito de sua existência e desafios ao longo de seus 74 anos.

No dia do lançamento, ela vendeu 100 unidades e fez do sonho concretizado um gesto de solidariedade, doando metade da renda à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). “Ver o meu livro no papel representou em minha vida uma explosão de autoestima”, diz a escritora, viúva há 10 anos.

“Muita coisa mudou. Meu neto sugeriu que eu comprasse um computador. Conheci poetas de várias partes. Com um deles, tive um flerte virtual, ele demonstrou uma grande paixão por minhas poesias. Nunca houve um beijo. Nós nos conhecemos pessoalmente, apresentei-o a minha filha. Somos bons amigos.”

De todos os livros lançados pela HN, o de maior repercussão e projeção foi o do touro Bandido, que envolveu três cabeças, o jornalista Daniel Martins, o teólogo Daniel Maia e o professor Vina. O mesmo projeto contou com a colaboração do tradutor Daniel Rodrigues, que passou o conteúdo para a língua inglesa.

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